sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Última Flor do Lácio, inculta e bela




Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac

Da Jornada Heroica por que passou o Latim, língua vinda do Lácio, nasceu sua última filha: a Língua Portuguesa. Inculta pois não possuía o clamor, a erudição e a tradição literária do Latim; contudo, bela, por ser um ouro abrutalhado, escondido em meio a cascalhos rudes e agrestes.
Sua beleza encerra-se nas lembranças da infância, na ternura e na saudade: o choro de Camões exilado e de todos os portugueses que saíram de sua terra para criar em outras terras a memória de sua pátria pela sua Língua.

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