domingo, 21 de fevereiro de 2010

Grego e Latim



As gramáticas gregas são as mães das gramáticas ocidentais e fontes pelas quais estruturamos nossos pensamentos verbais em textos escritos mais complexos. Não é à toa que a base do Português é o Alfabeto (Alfa, Beta, Gama...).

As primeiras obras que poderiam ser chamadas de gramáticas (mas, mesmo assim, eram bastante diferentes das nossas), surgem apenas no segundo século antes de Cristo.

Não surgem para normatizar a Língua, mas para organizar certos princípios de leitura de textos antigos (exegese).

Isso porque o Grego ia mudando e, sem poder aprender o grego antigo, os novos falantes não conseguiriam compreender tais textos.

Um exemplo interessante sobre essa noção de retomada é observar a origem dos acentos diacríticos de hoje.

Sabe-se que os gregos conheciam o tom alto, baixo, ascendente/descendente, reproduzidos respectivamente pelos acentos:

´ ` ~

Quando os textos de Grego antigo surgiram, esses sinais não existiam.

Posteriormente, passaram a imprimir tais sinais nos textos para correta elocução oral deles, busca de imitação de como falavam os antigos.

Entende-se aqui o princípio de correção atrelado ao princípio de mimesis (aemulatio): havia algo bem claro a ser copiado e, portanto, bem clara também era a noção do copiar corretamente.

Num primeiro momento, portanto, poderíamos acordar que o que nós entendemos por Gramática eram ligações fonéticas, sintáticas e semânticas com o passado.

Um passado, em geral, imperial e glorioso.

É como se as gramáticas estabelecessem um Luto Linguístico (nostalgia) ligado à opulência passada perdida, tal como a Heráldica, A História da Literatura e a Genealogia.

Dessa epistéme inicial vieram duas disciplinas: he téchne grammatiké ou ars grammatica e he téchne philologiké ou ars philologica.

Os Romanos, por sua vez, adotaram esses princípios para traduzir as línguas dos povos dominados e, dessa forma,ensinar-lhes o Latim, mantendo a tradição (marca) de seu povo como perpertuação do império.

Exercer sobre o povo dominado uma técnica de imitação linguística da tradição do dominador é apagar a memória do dominado, incorporando nele um passado comum, até que se esqueça a noção de domínio, opressão, e se fundam as mesmas origens para todos.

O próprio Maquiavel reforçava a ideia de que a dominação se faz muito mais por colonos que por soldados, uma vez que os primeiros podem alterar a identidade do dominado enquanto os últimos apenas acentuam as diferenças.

Os princípios da tradição romanos passaram a projetar sobre os povos dominados a noção da pureza e perfeição da expressividade da própria Língua, usando-a como instrumento de expansão territorial e construindo uma Europa Românica.

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