quinta-feira, 8 de abril de 2010

Anchieta



A Gramática latina “conformava” as outras Línguas à visão de mundo greco-romana e auxiliava a imposição do império. É interessante salientar a importância da Escola como instrumento de dominação.

Os jesuítas aqui no Brasil, por exemplo, usaram do ensino como fonte inicial de catequização, embora não tivessem utilizado propriamente a Língua Portuguesa sobre os povos a serem catequizados, mas uma projeção dos princípios cristãos nas Línguas faladas aqui, disseminando um padrão terra adentro, espíritos adentro.

Embora antes da chegada dos portugueses ao Brasil já houvera constantes e complexas migrações por parte dos índios, que, de certa forma, construíam um pouco de identidade linguística ao país ; foram os jesuítas que sistematizaram, numa gramática, um padrão léxico e sintático.

Silveira Bueno chama o processo de "uniformização léxica de vários dialetos". Alguns chamam uma língua de um dialeto com um exército , ao que parece, nosso exército são os Jesuítas.

A Gramática do Tupi de Anchieta hoje (quase de uma forma alencariana) possui em si uma nostalgia de um passado pueril perdido e sobreviveu com uma relativa força até a reforma pombalina, mas, novamente, não foi capaz de permitir com que caíssem no esquecimento muitas das Línguas faladas aqui.

Esse fenômeno de destruição de Línguas e Culturas parece hoje estar mais evidente.

Marquês de Pombal, mais adiante no tempo, sabia que a sobrevivência da conquista portuguesa estava ligada à Educação e à Política de Língua, ele mudou, dessa forma, a Política Linguística no Brasil, proibindo o uso de quaisquer outras Línguas que não fossem o Português.

Dessa forma, a diversidade linguística brasileira aos poucos diminuiu, sobrevivendo, no entanto, os povos indígenas que ainda não possuíam contato com os colonizadores.

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