domingo, 2 de maio de 2010

Barbarismo e Vernaculidade





Ao chegarmos ao início do século XX, as Gramáticas brasileiras encorparam-se e formalizaram complexas estruturas internas. Seguiam influências diretas das gramáticas portuguesas, francesas e inglesas e ajudaram a construir o falar culto do português do Brasil, reforçado pelos poetas parnasianos e escritores realistas e pré-modernistas.

A respeito delas, cabe-nos focar dois pontos interessantes à nossa reflexão: o conceito de VERNACULIDADE e o conceito de BARBARISMO. Uma língua vernácula é uma língua do próprio povo, identidade deste e detentora de baluartes e bandeiras para defendê-la. Os professores de Português sentiram-se arautos da identidade do país, procurando defender a Língua contra “invasões bárbaras”.

O barbarismo, por sua vez, é erro de estrangeiros, das pessoas que tentam falar nossa Língua, todavia, não detêm suas regras e acabam por ofender aos que bem a falam. Dessa forma, cabe ao professor ensinar como devemos evitar esses erros e permanecer ilesos a ataques culturais externos.



O Brasil, uma vez conquistado e colonizado, era um país que se via culturalmente identificado com os grandes centros urbanos e seus falares, ignorando tudo o que ocorria na imensidão de seu sertão, de suas matas, desde Línguas Indígenas e Africanas até variantes regionais arcaicas.

Estavam excluídos dessa identidade os demais falares presentes aqui. Mas isso não significa que houve seu total desaparecimento. Caímos aqui, ironicamente, numa dialética aparentemente paradoxal: como não havia escola para todos e não se ensinava gramática do português para todos, essas variantes não foram por completo destruídas pela língua portuguesa.

Por outro lado, como não houve uma formalização gramatical para essas variantes, elas continuaram variantes, com a memória enfraquecida, percebidas apenas em frestas culturais que permitiram o escape quase inconsciente e primitivo delas: topônimos, antropônimos, chistes, canções e gírias.

Resumindo: A falta de escola para todos no século XIX distanciou muitos dos falares cultos que aproximariam o povo da produção científica da época, contudo, permitiu que não morressem totalmente suas manifestações e identidades culturais. É bom lembrar que pensamos aqui no modelo de escola da época.

2 comentários:

  1. os acontecimentos sempre apresentam um lado bom e um lado ruim ! Talvez isso nunca mude !

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  2. o link do meu blog
    http://andrezao1706.blogspot.com/

    Aqui, mostro a evolução da minha escrita
    André Luiz
    Sala
    91

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