quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vida Marvada ...




"Corre um boato aqui donde eu moro
Que as mágoas que eu choro
São mal ponteadas
Que no capim mascado do meu boi
A baba sempre foi
Santa e purificada

Diz que eu rumino desde menininho
Fraco e mirradinho
A ração da estrada
Vou mastigando o mundo e ruminando
E assim vou tocando
Essa vida marvada

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um rémedio pros meus desenganos
E toda mágoa é um mistério fora desses planos
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pro uma visitinha
Que num verso ou num reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me num cateretê

Tem um ditado dito como certo
Que cavalo esperto
Não espanta boiada
E quem refuga o mundo resmungando
Passará berrando
Essa vida marvada

Cumpade meu que envelheceu cantando
Diz que ruminando
Dá pra feliz
Por isso eu vagueio ponteando
e assim procurando
Minha flor de liz

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remédio pros meus desenganos
E toda mágoa é um mistério fora desses planos
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pro uma visitinha
Que num verso ou num reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me num cateretê."

Rolando Boldrin

Uma canção pode resumir uma vida.
Um toque,um canto, uma palavra pode ser a senha ... a passagem.
Qual será a nossa senha?
Qual será a nossa canção?
Que os fios da meada reverberem o som amplificado do peito, como no nosso "fazedor de violas".

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