quinta-feira, 17 de março de 2011

Mestres e Heróis



Gostaria de convidar todos os que se interessam pelo assunto a assistirem à arguição
e defesa de minha Dissertação de Mestrado sobre Educação e Mitohermenêutica.

Dia 30/03/2011
15:00 hs
sala 116 B
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

Segue abaixo o Abstract

GIRALDES, A.R. Mestres e Heróis: Mitohermenêutica da Formação da Identidade de Professores. 2011. 132 f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo. São Paulo, 2011

A crise que se abate hoje no magistério engendra-se tanto nos baixos salários e na precária infraestrutura educacional, como na carga identitária do próprio professor, que enfrenta grandes dificuldades em encontrar seu lugar não somente dentro da sala de aula, mas na própria sociedade. Uma das formas de reconstrução dessa identidade encontra-se no resgate de sua condição de professor, no reencontro de sua essência. O complexo mítico mestre/herói/aprendiz pode presentificar-se no trajeto de imagens desse professor, desde os processos primários arquetípicos até as idiossincrasias dos indivíduos, pois o fazer profissional, muitas vezes, exercita nossa memória intuitiva trazendo as origens de nossa profissão e de nossa ontologia. O objetivo deste trabalho foi estabelecer uma discussão sobre as formas pelas quais esse trajeto de imagens é incorporado no cotidiano do professor, uma vez que o resgate dessa memória é um grande passo para a reconstrução de uma identidade quase perdida. Para tanto, foram coletadas três histórias de vida de professores de cursinho pré-vestibular, já que as histórias de vida são um dos amálgamas produtivos para esse encontro com um passado distante. O que se observou nessas narrativas foi como, a partir da prática em sala de aula, esse saber profissional mítico é atualizado e revivido pelos professores durante as suas aulas, seus comentários, seus enfrentamentos diante dos problemas da profissão, enfim, a forma com que percebem a si mesmos e a sua identidade profissional.

Palavras-chave: Educação, História Oral, Imaginário, Herói, Mestre.

sábado, 5 de março de 2011

Carnaval



No Cordão da Saideira (Edu Lobo)

"Hoje não tem dança
Não tem mais menina de trança
Nem cheiro de lança no ar
Hoje não tem frevo
Tem gente que passa com medo
E na praça ninguém pra cantar
Me lembro tanto
E é tão grande a saudade
Que até parece verdade
Que o tempo inda pode voltar

Tempo da praia de ponta de pedra
Das noites de lua, dos blocos de rua
Do susto é carreira na caramboleira
Do bumba-meu-boi
Que tempo que foi
Agulha frita, mungunzá, cravo e canela
Serenata eu fiz pra ela
Cada noite de luar

Tempo do corso, na Rua da Aurora
É moço no passo
Menino e senhora do bonde de Olinda
Pra baixo e pra cima
Do caramanchão
Esqueço mais não
E frevo ainda apesar da quarta-feira
No cordão da saideira
Vendo a vida se enfeitar."

Marcha-frevo à antiga:o refrão alongado, alongando; cheio de contrapontos e contracantos; enfeites-saudade.

Na segunda parte, a melodia vira o ritmo, tamborilando uma lista de lembranças que se reatualizam na enunciação:

Agulha frita é batata frita (meu pai que me disse em minha pré-história - rs)

Corso - Em antigos carnavais, desfile de carros enfeitados (com máscaras, serpentinas etc.) que transportavam foliões; PRÉSTITO (Aulete)

Caramanchão - Construção simples, ger. aberta e feita de ripas ou estacas de madeira e coberta ou cercada de vegetação, comum em parques e jardins para descanso, abrigo, recreação etc. (Aulete)

A Praia de Ponta de Pedra - aliteração que reforça o tempo forte da marcha.

Essa melodia me transporta para um passado que nunca vivi.

Interessante, pois.

Isso, por incrível que pareça, também é carvanal.