sábado, 5 de março de 2011

Carnaval



No Cordão da Saideira (Edu Lobo)

"Hoje não tem dança
Não tem mais menina de trança
Nem cheiro de lança no ar
Hoje não tem frevo
Tem gente que passa com medo
E na praça ninguém pra cantar
Me lembro tanto
E é tão grande a saudade
Que até parece verdade
Que o tempo inda pode voltar

Tempo da praia de ponta de pedra
Das noites de lua, dos blocos de rua
Do susto é carreira na caramboleira
Do bumba-meu-boi
Que tempo que foi
Agulha frita, mungunzá, cravo e canela
Serenata eu fiz pra ela
Cada noite de luar

Tempo do corso, na Rua da Aurora
É moço no passo
Menino e senhora do bonde de Olinda
Pra baixo e pra cima
Do caramanchão
Esqueço mais não
E frevo ainda apesar da quarta-feira
No cordão da saideira
Vendo a vida se enfeitar."

Marcha-frevo à antiga:o refrão alongado, alongando; cheio de contrapontos e contracantos; enfeites-saudade.

Na segunda parte, a melodia vira o ritmo, tamborilando uma lista de lembranças que se reatualizam na enunciação:

Agulha frita é batata frita (meu pai que me disse em minha pré-história - rs)

Corso - Em antigos carnavais, desfile de carros enfeitados (com máscaras, serpentinas etc.) que transportavam foliões; PRÉSTITO (Aulete)

Caramanchão - Construção simples, ger. aberta e feita de ripas ou estacas de madeira e coberta ou cercada de vegetação, comum em parques e jardins para descanso, abrigo, recreação etc. (Aulete)

A Praia de Ponta de Pedra - aliteração que reforça o tempo forte da marcha.

Essa melodia me transporta para um passado que nunca vivi.

Interessante, pois.

Isso, por incrível que pareça, também é carvanal.


2 comentários:

  1. URI!

    U=R.i

    \o/

    jesus!

    Viva Etapa frei caneca!

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  2. A antepenúlma linha, me fez sorrir. Eu achava que era louca por às vezes ter essa impressão. Imaginava que só acontecia comigo.

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