sábado, 9 de julho de 2011

Moeda Paulista



MOEDA PAULISTA
Guilherme de Almeida

"Moeda Paulista, feita só de alianças,
feita do anel com que Nosso Senhor
uniu na terra duas esperanças:
feita dos elos imortais do amor!

Quanto vale essa moeda? Vale tudo!
Seu ouro eternizava um grande ideal:
e ela traduz o sacrifício mudo
daquela eternidade de metal.

Ela, que vem na mão dos que se amaram,
Vale esse instante, que não teve fim,
em que dois sonhos juntos se ajoelharam,
quando a felicidade disse: SIM.

Vale o que vale a união de duas vidas,
que riram e choraram a uma só voz
e, simbolicamente desunidas,
vão rolar desgraçadamente sós.

Vale a grande renúncia derradeira
das mãos que acariciaram maternais,
o menino que vai para a trincheira,
e que talvez... talvez não volte mais...

Vale mais do que o ouro maciço:
vale a glória de amar, sorrir, chorar,
lutar, morrer e vencer... Vale tudo isso
que moeda alguma poderá comprar!"

Recebia a moeda quem doava sua aliança de ouro por São Paulo.

Notem que cada estrofe é uma aliança.

Uma representação forte não apenas pelo valor econômico para financiamento da guerra, mas pelo valor simbólico: entregar a marca de um grande amor ou da constituição de uma família para um bem maior.

Imaginem a situação: pela causa, muitas mulheres entregaram suas alianças, seus filhos e maridos e ficaram com a moeda, sacrifício pela coletividade.

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