domingo, 30 de outubro de 2011

Alvorada




Alvorada lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo
Alvorada

Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
Mas o que me resta é bem pouco
Ou quase nada, do que ir assim, vagando
Nesta estrada perdida.

(Carlos Cachaça - Cartola - Herminio Bello de Carvalho)

A Musa-Amor do poeta, metaforicamente, torna-se a Alvorada no início da segunda estrofe.

Tal unificação faz com que a Musa contamine de significação a Alvorada , ou seja, A Alvorada é a grande natureza amante de todos do morro.

É o Sol, que traz a esperança ...



Ninguém chora, mesmo com caminhos tão sem vida.
Ninguém sente dissabor, mesmo com a estrada perdida.
Ninguém desiste, embora bem pouco ou quase nada reste neste morro.

Povo sofrido, reprimido pela História hipócrita e imoral, que lhes tira toda e qualquer possibilidade de fugir do trabalho escravo.

Mas, mesmo assim, continuam...

Já que não lhes permitem procurar caminhos e lhes trancafiam nos morros com traficantes, miséria e policiais pacificadores; eles olham para cima !!!

E se deslumbram com uma humilde Alvorada, que, de tão simples, torna-se a mais Absoluta de todas as belezas.

Graças que, por enquanto, ainda não empacotam e vendem a Avorada...

Mas, com certeza, se um dia isso ocorrer, haverá sempre um poeta que se deslumbrará com outro algo: unhas negras, ou um All-Star azul, ou uma pedra no meio do caminho.

καλημερα