sábado, 24 de dezembro de 2011

Morte e vida Severina




— Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, Severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida Severina.


Morte e vida Severina é um auto de Natal.

Um rosário, em que, conta a conta, se contam as mortes no caminho seco e árido de uma vida, de tão severa e oprimida, já é morte.

Um canto, em que, encantadas, as personagens passeiam pelos cantos do esquecimento, renascendo no final da romaria, em meio a um pequeno severino nascente.

Um sussurro a toda beleza iluminada natalina, transposição simbólica ao cerne disso tudo:

De vez em quando, precisamos nos lembrar de que somos seres humanos ao invés de máquinas preocupadas com dinheiros e carros e roupas e comida e padrão de vida e passeios no shopping ...

Feliz Natal...