sábado, 5 de maio de 2012

Será Que Eu Vou Virar Bolor?



Será Que Eu Vou Virar Bolor?
 Arnaldo Baptista

Hoje eu percebi
Que venho me apegando às coisas
Materiais que me dão prazer
O que é isso, meu amor?
Será que eu vou morrer de dor
O que é isso, meu amor?
Será que eu vou virar bolor?

Venho me apegando ao passado
E em ter você ao meu lado
Não gosto do Alice Cooper
Onde é que está meu rock'n'roll?

Eu acho, eu vou voltar pra Cantareira

Venho me apegando aos meus sonhos
E à minha velha motocicleta
Não gosto do pessoal da Nasa
Cadê meu disco voador?

Onde é que está meu rock?
Onde é que está meu rock'n'roll?

Há vezes que usamos as palavras para uma grande fuga, que pode ser também um grande reencontro.

Apegar-se às coisas materiais, realmente, parece ser nosso completo emboloramento: há quem prefira um celular novo a um sorriso velho.

Arnaldo, talvez o mais sóbrio de todos, luta, bravamente, pela quintessência sonhada no lugar da parcaessência material: voarei em sonho com um disco voador e do pessoal da Nasa não gosto, pois eles chegam às estrelas pelas coisas materiais, não pelo devaneio.

No devaneio, rascunho de todo e qualquer conceito como sonhara Gaston Bachelard; encontramos a Cantareira, a casa onírica, a velha motocicleta e, por fim, o rock´n´roll. Realmente, como disse Tom Zé: a sabedoria mítica assusta.

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