quinta-feira, 23 de agosto de 2012

HEY BOY








Faetonte era filho de uma virgem da Etiópia e foi estimulado por seus companheiros a descobrir quem era seu pai. Cruzou a Pérsia e a Índia, escalou uma trilha íngreme e chegou ao cume. Lá, no cume, descobriu Febo, seu pai, cercado pelas Horas, pelas Estações, pelos Dias, pelos Meses, Anos e Séculos. Ele se apoderou do carro de Febo e chegou a um final trágico, pois acabou morrendo ao se atrever a guiar o carro do pai. (GIRALDES, 2011, P.69)

A natureza nos cerca de limites e incongruências a nos motivar o movimento de transcendência daquilo que, efetivamente, compreendemos como elementos limitantes.

Sentimos o TEMPO como elemento limitante assim que o descobrimos marcante em nossos corpos e em nossas vidas, com isso, lutamos contra sua passagem desde a ingestão de remédios contra os radicais livres até as ginásticas em academias a preservarem nosso corpo da inevitável passagem das HORAS.

Sentimos o ESPAÇO como elemento limitante desde o dia que alguém cercou um pedaço de terra e disse: - É meu! , com isso, para aumentarmos nosso ESPAÇO, chegamos até a diminuir o TEMPO dos outros: expansão marítima europeia, expansão imperial japonesa, expansão napoleônica, cruzadas (há pouco ESPAÇO para que cada um possa viver o seu TEMPO pleno, daí as guerras).

Newton, ao disseminar a função ESPAÇO e TEMPO, predestinou a VELOCIDADE como extrema sedutora àqueles que, mais que nunca, viam-se no desespero de carpir o dia, desfrutando ao máximo o sabor dos ESPAÇOS conquistados, esquecendo-se de que as tartarugas conhecem melhor as estradas que os coelhos.

Veio aí, então, o CARRO: grande vitória humana sobre a natureza. ELE é nosso ESPAÇO colorido e perfumado, que atravessa os ESPAÇOS dos outros; ELE é o nosso TEMPO imponente e enfadonho, que nos coloca sempre à frente de nossa solidão; ELE é nossa VELOCIDADE poderosa e reluzente, que nos liberta dos limites impostos a nós pela nossa própria natureza: o cansaço de nossas pernas, a chuva sobre nossas cabeças, a inércia de nossos pensamentos. 

E tal como um remédio para quem tem pressão alta, ELE é, hoje, o responsável pela fluência de muitas das nossas existências: 12 % do PIB brasileiro gira ao redor DELE, ou seja, sem ELE talvez não houvesse dinheiro para comprar um computador ou para você ler este texto.








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