domingo, 16 de setembro de 2012

Monte Castelo






"Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria…

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja
Ou se envaidece…

O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer…

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria…

É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder…

É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor…

Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade…

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria…"

 

 

 

 

 

"Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
Por nós, quer-nos, oprime-nos.

Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
De afetos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo : quem quer nada
É livre ; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses."

Ricardo Reis





Talvez uma das palavras e um dos conceitos mais ditos e repetidos por todo e sempre é esse bendito AMOR.

As pessoas evocam tanto e em tantos momentos, que é praticamente impossível a não banalização da ideia, o sujo desvirtuar-se da palavra , o desapego aos limites e o desrespeito à transigência do corpo.

Não há fórmulas para senti-lo, embora todos as definam sempre.

Não há esperas previsíveis, embora todos alentam-se e abarcam-se na contínua esperança de ele salvar suas vidas já negativadas de sentido.

E o silêncio intangível de nossa precária situação no mundo preenche-se sempre com outro silêncio intangível de palavras ditas ao acaso a procurarem resgatar-nos na nossa imaginação e sonhos.

Como se a evocação de deuses, fizesse nos lembrar sempre da existência deles.

Como se a listagem de nossos sentimentos, fizesse com que nos lembrássemos de que estamos vivos.

E a vida, assim prossegue e persegue, na eterna luta de tentarmos dar sentido às palavras que inventamos.







"Todo Mundo Quer Amor
Titãs

Todo mundo quer amor
Todo mundo quer amor de verdade
Uma pessoa boa quer amor
Uma pessoa má quer amor,
Quer amor de verdade
Quem tem medo quer amor,
Quem tem fome quer amor,
Quem tem frio quer amor,
Quem tem pinto saco boca bunda cu buceta quer amor
Ele quer
Ela quer
Ele quer
Ela quer
Todo mundo quer amor de verdade"