quarta-feira, 16 de julho de 2014

Apocalipse






Eis que ele vem com as nuvens,
E todos os olhos o verão,
Até mesmo os que o transpassaram,
E todas as tribos da terra
Baterão no peito por causa dele,
Sim! Amém! (Ap 1,7)




A tradição, associada com as vicissitudes pelas quais passamos, solicita-nos, por muitas vezes, a busca do imponderável metafísico.

Nele, no outro mundo desconhecido, encontraremos a felicidade eterna ou sofrimento interminável dantesco.

Seremos julgados um a um e é a espera desse dia que policia nossa quase existência neste mundo para chegarmos à verdadeira existência no outro mundo.

Na leitura apocalíptica de Fernando Bonassi dirigida por Reginaldo Nascimento, faz-se da experiência dramatúrgica a revelação da metafísica tanto esperada, o encontro do enigma, das bestas, dos anjos e dos mensageiros.

A descoberta aos olhos soa confusa e nebulosa, as nuvens mais cerram que desvelam e os sete véus que esperamos desaparecerem duplicam-se a olhos vistos.


No final, talvez o visto, é a falta de final, nada há para ser revelado, revelação esta que, paradoxalmente, julga e reinterpreta a existência de cada um que assistirá ali ao seu próprio apocalipse.