segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Banheiro de Mulheres


Talvez o que haja de comum em todas as mulheres do planeta é que são oprimidas.
A opressão vai desde as maneiras de se vestir até os olhares cotidianos.
A opressão pode estar também, naqueles que, seguramente, acham que não oprimem.
É interessante sentir, em todo o movimento da peça, como o público reage diante da dinâmica de acontecimentos, que, constantemente, alternam-se entre comédia e drama: as mulheres ora choram, ora riem e os homens, na maioria das vezes, aquietam-se.
Há quem diga que é uma peça sobre câncer, outros sobre violência doméstica, outros sobre gravidez precoce, outros sobre solidão na meia-idade, outros sobre mulheres... Mas talvez o mais importante seja perceber que é uma peça sobre exercermos nossas próprias humanidades e o banheiro é o lugar escolhido porque é exatamente lá, de porta trancada, que nos deparamos com as lembranças do filho perdido, ou vomitamos a expurgar nossas angústias, ou nos reinventamos no espelho.
Quanto aos atores, a energia sentida é de intensa força, batalhadores, unem-se tal como as personagens a lutar pelos seres humanos, pelas mulheres, pelo teatro e não devemos nos surpreender se em algum momento sentirmos o nó na nossa garganta nos lembrar das nossas vidas e de nós mesmos.
Para respirar um pouco, então, ligamos para a Madame Helga, nosso oráculo vivo a nos trazer a ironia a enfrentar a dor...

Como diria um amigo meu: - o que faríamos sem nossos livros, amigos e peças de teatro?